1.2.10

ADRA Ajuda Órfãos do Haiti


PORT-AU-PRINCE, Haiti, "Nós não estamos a pedir comida. Nós estamos implorando por comida ", disse João Dubois, um homem que passa os seus dias à procura de alimento para dar a centenas de órfãos que vivem em Port-au-Prince.


Enquanto a ajuda humanitária chegou a um número crescente de sobreviventes do devastador terramoto de 12 de Janeiro, muitos órfãos não foram tão afortunados, pois o impulso da ajuda internacional que chegou ao país passou a populações deslocadas e em torno das áreas afectadas da capital haitiana No Centre d'Accueil de Carrefour, no bairro de Carrefour em Port-au-Prince, existe um orfanato com 650 rapazes para cuidar, a necessidade de alimentos, água, saneamento e habitação tornou-se crítica, se não mesmo desesperante.


Desde o terramoto, o abastecimento alimentar diminuiu dramaticamente e o acesso a água tornou-se pouco fiável. As crianças agora dormem ao ar livre num campo aberto, com medo de que outro terramoto derrube os seus dormitórios. Enquanto isso, o acesso ao saneamento é precário, há apenas duas casas de banho a funcionar para todas as crianças e funcionários do orfanato.


A alimentação, em particular, continua a ser a maior preocupação para Dubois, que, nesse dia, recebeu um carregamento de comida da Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência (ADRA). Desde o terramoto, a equipa foi obrigada a reduzir o número de refeições de três para duas por dia, pequeno-almoço e almoço, contudo segundo o pessoal a quantidade de alimento não foi alterada.


"Nós tentamos manter as crianças ocupadas com jogos para que eles não pensem em comida", disse Henri Bernard, um homem de 50 ano e membro do pessoal do orfanato, cujas responsabilidades incluem a aquisição de alimentos e materiais.


A situação no orfanato nunca foi pior, disse Bernard. Os poucos alimentos que temos, ou seja, arroz, milho, trigo, legumes e farinha, acabarão dentro de poucos dias. O combustível para alimentar uma bomba de água também está quase esgotado.


Num um dia normal, a bomba, que fornece água para o orfanato, pode usar até 10 litros por dia. E existem apenas cinco galões, disse Bernard.


"A água não é potável, mas é tudo o que temos", acrescenta Bernard.


Antes do terramoto, o orfanato recebeu subsídios públicos para cobrir as despesas do dia-a-dia das operações, incluindo o combustível. No entanto, aqueles foram interrompidos após o desastre. Agora, Bernard afirma que eles têm que depender de organizações como ADRA para receber alimentos e outras ajudas para cuidar das ciranças. O pessoal trabalha para fazer o melhor proveito da situação actual.


Num pátio da escola aberta, a equipa da cozinha prepara uma refeição. Uma mulher mexe uma feijoada numa grande panela sob as brasas. Outros sentados ao redor de uma mesa amassam um grande pedaço de massa feita com farinha de milho. A massa é então atiradas para o ensopado.
"Refeições como esta, são feitas pois não têm arroz", disse Dubois. "Outros locais nem isso têm".


Eddy Pierre-Louis de onze anos de idade, chegou ao orfanato de Léogâne, a oeste de Port-au-Prince, há dois anos. A sua mãe morreu e ele foi morar com uma tia. O seu pai trabalha numa plantação de cana-de-açúcar, mas eles não se vêem há anos. Ele fala com uma voz tímida quase inaudível.


"Os tremores preocupam-no ao máximo", diz Dubois, que traduz as palavras Eddy em crioulo.
Desde o terramoto, as suas perspectivas, e as de outras crianças como ele, parecem cada vez mais sombrias. Enquanto, as réplicas continuam a incutir o medo entre os haitianos, é a falta de comida e de água que tornam a vida miserável para Eddy e milhares de órfãos.

Enquanto isso, os voluntários dedicados como Dubois continuaram a assegurar que os órfãos do Haiti não sejam esquecidos.

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